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Mário Soares
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Mário Soares, advogado, historiador e político, nasceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1924. Casou com Maria Barroso em 1949, tem uma filha, um filho e cinco netos.

Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1951, e em Direito na Faculdade de Direito da mesma Universidade, em 1957. Foi professor do ensino secundário (particular) e foi Director do Colégio Moderno, em Lisboa. Exerceu a advocacia durante vários anos e, quando do seu exílio em França, foi "Chargé de Cours" nas Universidades de Vincennes e da Sorbonne. Foi igualmente professor associado na Faculdade de Letras da Universidade da Alta Bretanha (Rennes) e professor catedrático convidado da  Universidade de Coimbra, Relações Internacionais.

Foi, desde a juventude, um activo resistente à ditadura, foi julgado e preso (12 vezes) pela PIDE por delito de opinião. Foi deportado sem julgamento para a ilha africana de S. Tomé em 1968 e esteve exilado em França entre 1970 e 1974. Aderiu ao MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista) em Maio de 1943, e foi fundador do MUD Juvenil (Movimento de Unidade Democrática) em 1946. Integrou a Comissão da Candidatura à Presidência da República do General Norton de Matos em 1949 e do General Humberto Delgado em 1958. Foi membro da Resistência Republicana e Socialista, na década de 50, e fundador da Acção Socialista Portuguesa em 1964 e do Partido Socialista (PS) em Bad Münstereifel em 1973. Foi Secretário-Geral do PS desde 1973 até 1986, representando os Socialistas Portugueses em inúmeros congressos socialistas.

Foi dos primeiros exilados políticos a regressar a Portugal depois da Revolução de Abril de 1974. Participou nos I, II e III Governos Provisórios, como Ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo iniciado as negociações do processo de descolonização e, no IV Governo Provisório, como Ministro sem Pasta. Foi deputado por Lisboa na Assembleia Constituinte, em 1975 e participou em todas as legislaturas até ser eleito Presidente da República, em 1986. Foi Vice-Presidente da Internacional Socialista de 1976 a 1986, da qual continua a ser Presidente Honorário, tendo chefiado várias missões daquela Organização ao Médio Oriente, a Nicarágua e a África. Foi Primeiro-Ministro do I e do II Governos Constitucionais (1976-78). Liderou a Oposição, de 1978 a 1983, e foi nomeado de novo (1983-1985) Primeiro-Ministro do IX Governo Constitucional. Iniciou as negociações do processo de adesão à CEE em 1977, que conduziram à assinatura do Tratado de Adesão em Junho de 1985. Em Janeiro de 1986, tornou-se o primeiro Presidente civil eleito directamente pelo povo, na história portuguesa, tendo sido reeleito em 1991 para um segundo e último mandato de cinco anos.

Presidente da Comissão Mundial Independente sobre os Oceanos de 1995-1998; Presidente do Movimento Europeu Internacional de 1997-1999, do qual é actualmente Presidente Honorário. Presidente do Comité dos Sábios do Conselho da Europa 1997-1998. Presidente da Missão de Informação sobre a Situação da Argélia em 1998 e Deputado ao Parlamento Europeu de 1999-2004.

É membro do Conselho de Estado. Entre outras, é Presidente das seguintes instituições: da Fundação Mário Soares (desde 1996), da Fundação Portugal África e do Comité Promotor do Contrato Mundial da Água (desde 1997), desde 2001, da IPS-Inter Press International, Roma, da Comissão da Liberdade Religiosa (2007) e do Júri do Prémio Félix Houphouët-Boigny, UNESCO, Paris (2010). Em Janeiro de 2002 foi designado Presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com Israel da qual se demitiu em Novembro do mesmo ano. Faz parte, desde 1997, do Comité Europeu de Orientação "Notre Europe" (presidido por Jacques Delors), Paris; “The Peres Center for Peace”, Televive;  e “International Project XXI Century - a Century of Global Challenges” da Fundação Gorbachev, Moscovo; do Club de Roma, da Fundação para uma Cultura da Paz, Unesco-Paris; da Fundación Euroamerica, Madrid; torna-se membro da Fundación General de la Universidad de Salamanca, em 2000; do Foro Mundial de Redes-UBUNTU (presidido por Federico Mayor), Barcelona, e do Club de Madrid, em 2001; do Club do Mónaco (presidido por Boutros Ghali), do Forum Político Mundial Mont Blanc (presidido por Mikhail Gorbachev), em 2002, da Green Cross International (presidida por Mikhail Gorbachev), Organisation Internationale de la Francophonie, Paris, em 2003, Grupo de Biarritz (Encontros Europa-América Latina).


Mário Soares publicou mais de 30 livros, traduzidos em vários línguas. Colabora intensamente em diversos jornais e revistas. Os seus principais discursos e intervenções durante a Presidência da República foram publicados em 10 volumes. Desde 1996 publicou as seguintes obras: Soares II Democracia; III O Presidente; Dois Anos Depois; O Mundo em Português – um diálogo (com o Presidente Fernando Henrique Cardoso); Português e Europeu; Porto Alegre e Nova Iorque: um mundo dividido?; Mémoire Vivante; A Incerteza dos Tempos; Incursões Literárias; Um Mundo Inquietante; Diálogo de Gerações (com Sérgio Sousa Pinto); Os Poemas da Minha Vida; A crise. E agora?; O que falta dizer, Um Diálogo Ibério no Contexto Europeu e Mundial (com o Prof. Federico Mayor), Um Mundo em Mudança, O Elogio da Política e Em Luta por Um Mundo Melhor.

Mário Soares foi agraciado com numerosas e importantes condecorações nacionais e internacionais  (de mais de 40 países). Foi laureado com vários prémios internacionais, entre outros, Prémio Joseph Lemaire, Bruxelas 1975;  Prémio Internacional dos Direitos do Homem, Nova Iorque 1977;  Prémio Robert Schuman, Estrasburgo 1987;  Prémio Príncipe das Astúrias, Oviedo 1995; Prémio "Together" for Peace Foundation, Roma 1997; Prémio Louise Weiss, Paris 1997; Prémio Adolph Bentinck, Bruxelas 1997; Prémio Internacional Simón Bolivar, Paris 1998; Prémio Norte-Sul, 2000; Prémio Orseri per il Dialogo, Roma 2001; Prémio Especial Club Internacional de Prensa, Madrid 2001; Prémio “Troféu Latino” 2005, União Latina, Lisboa, 2005; Medalha de Ouro da Assembleia da República Comemorativa do 50º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Lisboa, 2008; do Medalha de Honra da Universidade George Washington, 1998. Medalha de Ouro do Instituto Stresemann, Mainz 1999; Troféu Goya, Madrid 2000; Medalha de Ouro da Universidade de Berkeley, 2000; Medalha de Honra da Fundação Schuman, Paris 2000; Medalha de Mérito Farroupilha, Rio Grande do Sul, 2004; Comenda Terras Irmãs, Cataguases (Brasil), 2005. É Doutor Honoris Causa por 40 Universidades, de 17 países. É também membro da Sociedade Portuguesa de Escritores, da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia do Reino de Marrocos, da Academia de Marinha de França e da Academia das Ciências Ultramarinas (França). Correspondente da Academia Brasileira de Letras e membro da Academia da Latinidade (desde 2000).